Arrábida, um mundo de experiências


A Arrábida presenteia-nos um mundo de experiências, desde paisagens de perder o fôlego, praias premiadas pela sua beleza natural, vestígios de pegadas de dinossauros, grutas deslumbrantes, uma flora muito peculiar, vestígios romanos, castelos, fortes, conventos, santuários, quintas e palácios, há muito por explorar e viver!
Em 1976 foi criado o Parque Natural da Arrábida para proteger a sua paisagem ímpar, a sua riqueza geológica, a sua flora e fauna, neste que é um parque que se caracteriza por um micro clima mediterrânico muito particular. Mais tarde, em 1998, dá-se a expansão do parque ao domínio marinho com o surgimento do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, numa área marinha que se estende por cerca de 53 km desde a Serra da Arrábida ao Cabo Espichel, onde se destaca a importância do trabalho desenvolvido para proteger as pradarias marinhas e a enorme biodiversidade existente.
Com cerca de 17 mil hectares, o parque Natural da Arrábida abrange os concelhos de Setúbal, Palmela e Sesimbra, do qual fazem parte a Serra do Louro, Serra Longa, Serra do Risco, Serra de São Luís, Serra dos Gaiteiros, Serra de São Francisco e claro, a Serra da Arrábida, onde se localiza o seu ponto mais alto, o pico do Formosinho.
A sua importância geográfica remonta ao Paleolítico Inferior, mas também dada pela presença de fenícios, romanos e árabes ao longo dos tempos.
Em 2025 o Parque Natural da Arrábida foi classificado como Reserva da Biosfera da Unesco, classificação que irá impulsionar a promoção, proteção e desenvolvimento sustentável da região.
Fauna
A fauna da Arrábida tem vindo a sofrer alterações desde o século XIX, sendo que até meados do século XX era possível avistar lobos e veados, atualmente verifica-se a prevalência do javali devido à ausência de predadores.
Aqui também temos a presença de raposas, lebres, coelhos, texugos, genetos, sacarrabos, doninhas entre outros animais.
Para quem é fascinado por aves existem uma “infinidade” de espécies que se podem observar no parque, nomeadamente as aves de rapina diurnas, com destaque para a águia de Bonelli que em todo o território português apenas nidifica na Arrábida, a mesma esteve ameaçada mas nota-se atualmente uma grande recuperação da mesma com o surgimento de alguns núcleos fortes. Note-se que o Cabo Espichel é ponto de passagem na rota de aves migratórias.
A existência de muitas grutas nas falésias da Arrábida cria as condições ideais para a presença de muitas espécies de morcegos, alguns dos quais em perigo de extinção.
No Parque Natural da Arrábida somos surpreendidos com a existência de espécies que só aqui se podem encontrar, por exemplo, dois tipos de caracol, o Xeroplexa setubalensis e o Xeroplexa arrabidensis, este último infelizmente em perigo de extinção, e dois tipos de escaravelhos, o Geocharis boeiroi e o gorgulho-esmeralda-rosado.



Flora
Este é um parque ímpar no que diz respeito à sua biodiversidade, que compreende 70 espécies raras e outras endêmicas, num universo de 1400 espécies vegetais, cerca de 200 espécies de vertebrados e mais de 2000 espécies marinhas, constituindo assim um ecossistema marinho também bastante rico.
Em apenas 1% da área vegetal do país podemos encontrar 40% da flora portuguesa, dentro das cerca de 1400 espécies podemos destacar o trovisco-do-espichel que apenas existe, em todo o mundo, nas arribas que vão do Cabo Espichel a Sesimbra! Uma paisagem que difere do resto do país, caracterizada pelo carrascal arbóreo e o tojal e pela presença de espécies de flores que são apenas possíveis de encontrar no Parque Natural da Arrábida como o tomateiro-da-Arrábida, a malva-marítima e a Fagonia cretica.
As orquídeas têm na Arrábida também uma grande expressão, das cerca de 55 espécies existentes em Portugal, podemos encontrar cerca de 30 na região. Existe também uma grande expressão de carvalhos, oliveiras e alfarrobeiras.



Saberes
Toda esta riqueza natural permite uma infinidade de actividades económicas, tais como o cultivo de arrozais, de saliniculturas, da extração de cortiça, da recolha do pinhão, da pesca artesanal, do fabrico do moscatel e do queijo, da produção de mel à produção do azulejo artesanal, uma prolífica expressão turística com as suas atividades na natureza, como caminhadas, escalada, ciclismo entre outras tantas.






